Paulo Falcão Alves

Vaguear na Maionese

Paulo Falcão Alves

O POVO QUER É FESTA

Após alguns meses sem partilhar convosco os meus desabafos, aproveito este momento, a um dia das eleições autárquicas, para aqui, uma vez mais, refletir sobre os tempos nossos.
Todos estamos de acordo que estas eleições representam um barómetro para os poleiros que se vão personificando nos arraiais políticos um pouco por toda a parte.
Em relação ao resultado final já pouco haverá a dizer – o PS vai ganhar as eleições! E vai vencer porque a máquina política no poder, habilmente oleada e manipulada pelos media, funciona na perfeição. Aproxima-se o anunciado dia da libertação, com discursos políticos oportunistas, apoiados por um star system a roçar a parolice, apregoando o fim da maioria das restrições impostas pela pandemia.
Para mal dos nossos pecados vamos assistindo a uma cromaticidade política onde, quer à esquerda, quer à direita, não é possível vislumbrar uma fala sábia. Na ausência de vozes primas, resta à oposição coligar-se com partidos à beira do abismo, numa luta desenfreada contra uma morte há muito anunciada – como referia Luís Pedro Nunes “o Rio perde mesmo que ganhe”(1).
Para os ainda parcos gritos de revolta (democrática), resta-lhes a (re)conquista dos ainda não-alienados, numa luta desigual entre conhecimento e ignorância, marcada pela ausência da participação cívica, daqueles que, como alguns de nós, mesmo não sendo “sócios pagantes”, ainda sonham por uma democracia saudável.
Segunda-feira, depois de todo este circo acabar, onde reinaram palhaços e acrobatas, o povo já só vai querer pensar nas castanhas e na bela da Jeropiga – Viva o S. Martinho! O povo quer é festa!

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(1) Luís Pedro Nunes. (23 de setembro, 2021). Eixo do Mal. Carnaxide: SIC Notícias.

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